Quando o último papa renunciou, as Américas ainda não haviam sido invadidas pelos europeus; o Brasil não existia; começava, naquele 1415, o Império Colonial Português, o mais longevo da Europa; a população mundial, naquele começo do século XV, ainda não chegara aos 500 milhões de habitantes; a imprensa tipográfica de Gutemberg era a mais nova e mais revolucionária forma tecnológica de impressão de livros; ainda não havia a majestosa basílica de São Pedro, em Roma; o que acontecia naquela cidade levava meses ou anos para chegar a Paris, Lisboa ou Atenas.
Quando Bento XVI anuncia que irá renunciar (e sua renúncia será no próximo dia 28 de fevereiro de 2013), o mundo conta uma população treze vezes maior do que aquela da época de Gregório XII, que governou a Igreja de 1406 a 1415, e renunciou. Naquele distante século XV, o mundo dito civilizado era pequeno e as notícias andavam a passos lentos; hoje, no século XXI, o mundo civilizado é gigantesco e as notícias se espalham com uma rapidez incrível. A notícia da renúncia de Bento XVI chegou a todas as latitudes e longitudes em questão de poucos minutos.
O papa Bento XVI, no apagar das luzes de seu pontificado, ganhou uma notoriedade que jamais teve em nenhum outro momento, desde que assumiu a cátedra de Pedro, em 2005. Os holofotes da imprensa mundial se voltaram para o papa, para seus assessores mais próximos e para os cardeais, que são os eleitores daquele que será o 266º pontífice da Igreja. Muitos rumores ganham/ganharam as primeiras páginas de todos os jornais do mundo. Alguns cardeais já disseram que não participarão do conclave, movidos pelas notícias desabonadoras veiculadas na imprensa sobre suas pessoas.
Concluo com as palavras tantas vezes por mim rezadas, desde os tempos do Seminário Sagrado Coração de Jesus, em Diamantina: Oremus pro Pontifice nostro Benedicto. ℟. Dominus conservet eum, et vivificet eum, et beatum faciat eum in terra, et non tradat eum in animam inimicorum eius. (Tradução: Oremos pelo nosso Pontífice Bento. O Senhor o conserve, e o vivifique, e o faça feliz na terra, e não o abandone à perversidade dos seus inimigos).
Pe. Ismar Dias de Matos, professor de filosofia e cultura religiosa na PUC Minas.
E-mail: p.ismar@pucminas.br
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